lundi, novembre 14, 2005

Focos

Que compreensão é essa
que se esconde entre as cobertas
e os travesseiros
que verdade pode haver
por trás dessas palavras vesgas
me diz que essa
não é a mesma,
por mais que eu não acredite
as mesmas vozes num intervalo
insensato e néscio
As palavras doces de outrora
nunca voam por aqui
me dê sua mão
me dê um abraço forte de verão,
seu corpo é todo nosso
eu só quero fingir que esse contato
ainda está por aí
eu quero o sufoco do seu respirar:
Queimando o mesmo espaço que eu
e poder dizer aos outros que
isso é amor
pois sabemos que não: que
o nosso corpo é todo nosso
nesse momento em que somos apenas um corpo
perdido no espaço
Silêncio!
eu quero ouvir a sua respiração
ofegando cada gota de suor
que queima o assoalho
silencio... silencio... cada gota que cai é uma sinfonia
de escuridão e pesar
cada gota que cai
é um nada incorpóreo
e incolor

2 Comments:

Anonymous eduardo said...

Beíssimo poema.
Escreve muito bem.

8:53 AM  
Anonymous Tomáz Antônio Gonzaga said...

Maneira, essa poesia...muito sensual!

7:32 PM  

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